
Stablecoins podem remodelar fundamentalmente os pagamentos — mas apenas se os reguladores resolverem riscos críticos relacionados à estabilidade financeira, proteção ao consumidor e soberania monetária. Esta é a mensagem central do memorando da equipe do Riksbank de novembro de 2025, que chega em um momento crucial: o mercado de stablecoins cresceu 68 vezes em cinco anos (de US4bilho~esemjaneirode2020paraUS 272 bilhões em outubro de 2025), os marcos regulatórios estão se cristalizando globalmente, e os bancos centrais estão lidando com a forma como esses ativos digitais privados se encaixam no sistema monetário que supervisionam.
A análise do Riksbank, de autoria de Claire Ingram Bogusz, Björn Segendorff, Reimo Juks e Gabriel Söderberg, fornece uma das avaliações de stablecoins mais abrangentes de um banco central até o momento. Ela identifica benefícios genuínos de pagamento, ao mesmo tempo em que cataloga riscos sérios — e revela importantes decisões políticas que o Riksbank e outros bancos centrais devem tomar sobre o acesso dos emissores de stablecoins à infraestrutura do banco central.
O memorando da equipe reconhece o potencial das stablecoins para melhorar os pagamentos, ao mesmo tempo em que levanta preocupações substanciais sobre o que acontece quando as coisas dão errado. Ao contrário de criptomoedas voláteis como o Bitcoin, as stablecoins são ativos digitais especificamente projetados para manter um valor estável em relação a uma moeda de referência — tipicamente o dólar americano. Elas diferem dos depósitos bancários comerciais de três maneiras fundamentais: operam em tecnologia de registro distribuído acessível a qualquer pessoa, são lastreadas por ativos específicos em vez de reservas fracionárias e não possuem proteção de seguro de depósito.
Os benefícios identificados pelo Riksbank concentram-se em pagamentos transfronteiriços. As transferências internacionais tradicionais permanecem caras (média de 6% em taxas) e lentas (1-5 dias úteis através de bancos correspondentes). Stablecoins em blockchains públicas podem ser liquidadas em segundos a uma fração do custo. O memorando observa que a BVNK, um dos maiores players, processa cerca de US$ 15 bilhões anualmente em pagamentos transfronteiriços de stablecoins, com aproximadamente metade vindo de transações business-to-business — o maior segmento para pagamentos internacionais.
Para usuários em países com alta inflação e baixa confiança nas autoridades monetárias, as stablecoins oferecem acesso a moedas estrangeiras. O memorando observa que as stablecoins também podem servir populações desbancarizadas que acham a infraestrutura descentralizada mais fácil de acessar do que o sistema bancário tradicional. Além disso, as stablecoins permitem a participação em finanças descentralizadas (DeFi) e a liquidação de ativos do mundo real tokenizados — mercados que permanecem pequenos, mas estão crescendo rapidamente.