Limites de 15-20% na Propriedade de Corretoras na Coreia: Um Terremoto Regulatório que Redefine o Cenário Cripto da Ásia
A Coreia do Sul acaba de lançar uma bomba regulatória que pode reestruturar fundamentalmente o segundo maior mercado de negociação de criptomoedas do mundo. Em 30 de dezembro de 2025, a Comissão de Serviços Financeiros (FSC) revelou planos para limitar a participação de acionistas majoritários em exchanges de criptomoedas a 15-20 % — uma medida que forçaria os fundadores da Upbit, Bithumb, Coinone e Korbit a vender bilhões de dólares em capital próprio.
As implicações estendem-se muito além das fronteiras da Coreia. Com o won coreano já rivalizando com o dólar americano como a moeda fiduciária mais negociada do mundo para cripto, e $ 110 bilhões já fugindo para exchanges estrangeiras apenas em 2025, a questão não é apenas como as exchanges coreanas se adaptarão — é se a Coreia manterá sua posição como a potência cripto de varejo da Ásia ou cederá espaço para Singapura, Hong Kong e Dubai.
Os Números por Trás da Bomba
A proposta da FSC visa exchanges classificadas como "infraestrutura essencial" — definidas como plataformas com mais de 11 milhões de usuários. Isso engloba as "Big Four" da Coreia: Upbit, Bithumb, Coinone e Korbit.
Aqui está como a estrutura de propriedade atual se compara ao que a conformidade exigiria:
| Exchange | Acionista Majoritário | Participação Atual | Redução Necessária |
|---|---|---|---|
| Upbit (Dunamu) | Song Chi-hyung | 25 % | ~ 5-10 % |
| Coinone | Cha Myung-hoon | 54 % | ~ 34-39 % |
| Bithumb | Holding | 73 % | ~ 53-58 % |
| Korbit | NXC + SK Square | ~ 92 % combinado | ~ 72-77 % |
| GOPAX | Binance | 67,45 % | ~ 47-52 % |
A matemática é brutal. O fundador da Coinone precisaria vender mais da metade de sua participação. A holding da Bithumb precisaria se desinvestir de mais de 70 % de sua posição. O controle da Binance sobre a GOPAX torna-se insustentável.
A FSC enquadra isso como a transformação de empresas privadas controladas por fundadores em infraestrutura quase pública — semelhante aos Sistemas de Negociação Alternativos (ATS) sob a Lei de Mercados de Capitais da Coreia. A proposta também sinaliza uma mudança do sistema de registro atual para um regime de licenciamento completo, com reguladores conduzindo revisões de adequação dos acionistas majoritários.
Um Mercado Grande Demais para Ser Ignorado — e Concentrado Demais para Ser Ignorado
O mercado cripto da Coreia é um paradoxo: massivo em escala, perigosamente concentrado em estrutura.
Os números contam a história:
- $ 663 bilhões em volume de negociação de cripto em 2025
- 16 milhões+ de usuários (32 % da população do país)
- O won coreano classifica-se como a moeda fiduciária nº 2 para negociação global de cripto, às vezes superando o USD
- As negociações diárias frequentemente excederam $ 12 bilhões
Mas dentro deste mercado, a Upbit domina com uma força de quase monopólio. No primeiro semestre de 2025, a Upbit controlou 71,6 % de todo o volume de negociação — 833 trilhões de wons ($ 642 bilhões). A Bithumb capturou 25,8 % com 300 trilhões de wons. Os players restantes — Coinone, Korbit, GOPAX — representam coletivamente menos de 5 %.
A preocupação da FSC não é abstrata. Quando uma única plataforma lida com mais de 70 % da negociação de cripto de uma nação, falhas operacionais, violações de segurança ou escândalos de governança não afetam apenas os investidores — eles se tornam riscos sistêmicos para a estabilidade financeira.
Dados recentes reforçam essa preocupação. Durante a alta do Bitcoin em dezembro de 2024 para níveis recordes, a participação de mercado da Upbit saltou de 56,5 % para 78,2 % em um único mês, à medida que os negociadores de varejo se consolidaram na plataforma dominante. Esse é o tipo de concentração que tira o sono dos reguladores.
A Fuga de Capital que Já Está Acontecendo
A postura regulatória da Coreia já desencadeou um êxodo de capital que ofusca a proposta de reestruturação de propriedade em termos de significância.
Apenas nos primeiros nove meses de 2025, os investidores coreanos transferiram 160 trilhões de wons ($ 110 bilhões) para exchanges estrangeiras — o triplo da saída de todo o ano de 2023.
Por quê? As exchanges domésticas estão limitadas à negociação à vista (spot). Sem futuros. Sem perpétuos. Sem alavancagem. Os negociadores coreanos que desejam derivativos — e os dados de volume sugerem que milhões deles desejam — não têm escolha a não ser ir para o exterior.
Os beneficiários são claros:
- Binance: ₩ 2,73 trilhões em receita de taxas de usuários coreanos
- Bybit: ₩ 1,12 trilhão
- OKX: ₩ 580 bilhões
Combinadas, essas três plataformas extraíram ₩ 4,77 trilhões de usuários coreanos em 2025 — 2,7 vezes a receita combinada da Upbit e Bithumb. O quadro regulatório projetado para proteger os investidores coreanos está, em vez disso, empurrando-os para locais menos regulamentados, enquanto transfere bilhões em atividade econômica para o exterior.
Os limites de propriedade da FSC podem acelerar essa tendência. Se os desinvestimentos forçados criarem incerteza sobre a estabilidade das exchanges, ou se os acionistas majoritários saírem totalmente do mercado, a confiança do varejo poderá entrar em colapso — empurrando ainda mais volume para o exterior.